O DESENVOLVIMENTO DA GRANDE APOSTASIA – PARTE 04

Na última parte, vimos que a apostasia trouxe para dentro da congregação cristã grandes mudanças organizacionais, como por exemplo, a separação entre clérigos e leigos.

Nesta parte, veremos mudanças doutrinais que ocorrem com o afastamento da congregação em relação a verdade bíblica.

INFILTRAÇÃO DE ENSINAMENTOS PAGÃOS

Os ensinamentos puros de Cristo estão assentados por escrito — preservados nas Escrituras Sagradas. Por exemplo, Jesus ensinou claramente que Jeová é “o único Deus verdadeiro” e que a alma humana é mortal. (João 17:3; Mat. 10:28) Contudo, com a morte dos apóstolos e o enfraquecimento da estrutura organizacional, tais ensinamentos claros foram corrompidos com a infiltração no cristianismo de doutrinas pagãs. Como podia isso acontecer?

Um fator importante foi a sutil influência da filosofia grega. Explica The New Encyclopœdia Britannica: “A partir de meados do 2.° século AD, os cristãos que tinham conhecimentos de filosofia grega passaram a sentir a necessidade de expressar a sua fé em termos dessa, tanto para sua própria satisfação intelectual como para converter pagãos instruídos.”

Desde que pessoas de mentalidade filosófica se tornaram cristãos, não levou muito tempo para que a filosofia grega e o “cristianismo” se tornassem inseparavelmente ligados. Em resultado dessa união, doutrinas pagãs, como a Trindade e a imortalidade da alma, infiltraram-se no cristianismo contaminado. Esses ensinamentos, porém, remontam a uma época muito anterior à dos filósofos gregos.

Na realidade, os gregos os obtiveram de culturas mais antigas, pois há evidência de tais ensinamentos nas antigas religiões egípcias e babilônicas. Ao passo que doutrinas pagãs continuavam a se infiltrar no cristianismo, outros ensinamentos bíblicos também foram deturpados ou abandonados.

DESVANECE-SE A ESPERANÇA DO REINO

Os discípulos de Jesus sabiam muito bem que tinham de manter-se vigilantes, à espera da prometida “presença” de Jesus e da vinda de seu Reino. Com o tempo, reconheceu-se que esse Reino dominará a Terra por mil anos e a transformará num paraíso. (Mat. 24:3; 2 Tim. 4:18; Rev. 20:4, 6)

Os escritores bíblicos cristãos exortaram as testemunhas do primeiro século a se manterem espiritualmente despertos e separados do mundo. (Tia. 1:27; 4:4; 5:7, 8; 1 Ped. 4:7) Mas, logo que os apóstolos morreram, a expectativa cristã da presença de Cristo e da vinda de seu Reino se desvaneceu. Por quê?

Um fator foi a contaminação espiritual causada pela doutrina grega da imortalidade da alma. À medida que esta se firmava entre os cristãos, a esperança do milênio foi gradativamente abandonada. Por quê? Explica The New International Dictionary of New Testament Theology: “A doutrina da imortalidade da alma foi introduzida para tomar o lugar da escatologia [ensinamento sobre “As Últimas Coisas”] no NT [Novo Testamento], com sua esperança da ressurreição dos mortos e da nova criação (Rev. 21), de modo que a alma recebe o julgamento após a morte e alcança o paraíso, agora considerado ser no além-mundo.”

Em outras palavras, os cristãos apóstatas pensavam que a alma sobrevivia ao corpo e que as bênçãos do Reino Milenar de Cristo tinham a ver, por conseguinte, com o domínio espiritual. Transferiram assim o Paraíso da Terra para o céu, que, segundo criam, a alma salva alcança por ocasião da morte. Portanto, não havia necessidade de aguardar a presença de Cristo e a vinda de seu Reino, visto que na morte todos esperavam unir-se a Cristo no céu.

Ainda outro fator, porém, fez realmente parecer inútil aguardar a vinda do Reino de Cristo. Explica The New Encyclopœdia Britannica: “A [aparente] demora da Parousia resultou no enfraquecimento da expectativa iminente na igreja primitiva. Neste processo de ‘desescatolizar’ [enfraquecer o ensinamento sobre as “Últimas Coisas”], a igreja institucional substituiu incrementadamente o esperado Reino de Deus. A formação da Igreja Católica como instituição hierárquica relaciona-se diretamente com o declínio da iminente expectativa.” (O grifo é nosso.)

Portanto, não só foram transferidas da Terra para o céu as bênçãos do milênio, mas o Reino foi deslocado do céu para a Terra. Esta “relocalização” foi completada por Agostinho de Hippo (354-430 EC). Em sua famosa obra The City of God (A Cidade de Deus), ele declarou: “A Igreja mesmo agora é o reino de Cristo e o reino dos céus.”

No ínterim, em cerca de 313 EC, durante o domínio do imperador romano Constantino, o cristianismo, já então grandemente de mentalidade apóstata, recebeu reconhecimento legal. Os líderes religiosos se dispunham a colocar-se a serviço do Estado e, de início, o Estado controlava os assuntos religiosos. (Em pouco tempo, a religião passou a controlar os assuntos do Estado.)

Assim começou a cristandade, parte da qual (a religião católica) com o tempo se tornou a oficial religião estatal de Roma. Agora, o “reino” não só estava no mundo, mas fazia parte do mundo. Que enorme diferença entre isto e o Reino que Cristo pregou! — João 18:36.

Na última parte desta série, veremos se a “Reforma Protestante” foi capaz de restaurar a adoração pura dos ensinamentos de Cristo.

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