O DESENVOLVIMENTO DA GRANDE APOSTASIA – PARTE FINAL

A Reforma — um retorno à adoração verdadeira?

Como joio que viceja entre o trigo sufocado, a Igreja de Roma, sob seu governante papal, dominou os assuntos do mundo por séculos. (Mat. 13:24-30, 37-43) Ao se tornar cada vez mais parte do mundo, a Igreja afastou-se mais e mais do cristianismo do primeiro século. Através dos séculos as seitas “heréticas” exigiram reformas dentro da Igreja, mas esta continuou a praticar abuso de poder e a acumular riquezas. Daí, no século 16, a Reforma Protestante, uma revolta religiosa, irrompeu com toda a fúria.

Reformadores, como Martinho Lutero (1483-1546), Ulrich Zwingli (1484-1531) e João Calvino (1509-64), atacaram a Igreja em vários assuntos: Lutero, sobre a venda de indulgências, Zwingli, o celibato do clero e a mariolatria, e Calvino, a necessidade de a Igreja retornar aos princípios originais do cristianismo. O que produziram tais empenhos?

Com certeza, a Reforma realizou algumas coisas boas, sendo a mais notável a tradução da Bíblia para as línguas do povo. O livre-pensamento da Reforma conduziu a uma pesquisa mais objetiva da Bíblia e a um aumentado entendimento das línguas da Bíblia. A Reforma, porém, não foi um retorno à adoração e doutrina verdadeira. Por que não?

Os efeitos da apostasia se haviam arraigado profundamente, até nos próprios fundamentos da cristandade. Assim, embora vários grupos protestantes se desligassem da autoridade papal de Roma, levaram consigo algumas das falhas básicas da Igreja Católica Romana, que haviam resultado do abandono do verdadeiro cristianismo. Por exemplo, embora variasse um pouco a maneira de administrar as igrejas protestantes, foi mantida a fundamental divisão da igreja numa classe de clérigos dominadores e de leigos subjugados. Foram mantidas também doutrinas antibíblicas, como a Trindade, a imortalidade da alma e o tormento eterno após a morte. E, semelhantes à Igreja Romana, as igrejas protestantes continuaram a fazer parte do mundo, pelo seu íntimo envolvimento nos sistemas políticos e nas classes governantes da elite.

No ínterim, que dizer da expectativa cristã — aguardar a presença de Jesus e a vinda de seu Reino? Por séculos depois da Reforma, as igrejas — tanto católicas como protestantes — ficaram profundamente comprometidas com o poder secular e tendiam a pôr de lado a expectativa da vinda do Reino de Cristo.

Reavivamentos da vigilância

No século 19, porém, o clima religioso conduziu a reavivamentos da vigilância cristã. Em resultado da pesquisa bíblica feita por alguns clérigos e eruditos da Bíblia, foram reestudados ensinamentos tais como a imortalidade da alma, o tormento eterno após a morte, a predestinação e a Trindade. Além disso, alguns estudantes da Bíblia estavam examinando de perto as profecias da Bíblia referentes aos últimos dias. Por conseguinte, vários grupos começaram a pensar seriamente na prometida volta do Senhor. — Mat. 24:3.

Nos Estados Unidos, William Miller predissera que a volta de Cristo em forma visível se daria em 1843 ou em 1844. O teólogo alemão J. A. Bengel fixara a data de 1836; os irvingianos, na Inglaterra, aguardaram primeiro em 1835, daí em 1838, 1864 e 1866. Havia um grupo de menonitas na Rússia que esperaram primeiro que se daria em 1889, depois em 1891.

Tais empenhos de vigilância serviram para despertar em muitos a perspectiva da volta do Senhor. Entretanto, esses empenhos de vigilância cristã terminaram em decepções. Por quê? Em grande parte, porque se confiou demais nos homens e não suficientemente nas Escrituras. Depois de algumas décadas, a maioria desses grupos deixou de existir. No ínterim, outros desenvolvimentos nesse período tiveram um impacto sobre as esperanças e as expectativas humanas.

A era do “iluminismo” e da industrialização

Em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels publicaram O Manifesto Comunista. Em vez de patrocinarem a religião, que Marx chamou de “ópio do povo”, eles defendiam o ateísmo. Embora fossem ostensivamente contra toda religião, na realidade promoveram a religião, ou adoração, do Estado e de seus líderes.

Cerca de uma década depois, em 1859, foi publicada a obra A Origem das Espécies, de Charles Darwin; ela influenciou profundamente o raciocínio científico e religioso daquela época. As teorias da evolução conduziram à contestação da veracidade do relato bíblico sobre a criação e o início do pecado pela desobediência do primeiro casal humano. (Gên., caps. 1-3) O resultado foi o enfraquecimento da fé que muitos tinham na Bíblia.

No ínterim, a Revolução Industrial estava em andamento e tomava impulso. A ênfase passou da agricultura para a indústria e para a produção de máquinas. O aperfeiçoamento da locomotiva a vapor (em princípios do século 19) levara a uma expansão das ferrovias que cruzavam os países de ponta a ponta. Na segunda metade do século 19 foi inventado o telefone (1876), o fonógrafo (1877), a luz elétrica (1878-79), bem como o uso da linotipo para a produção de linhas de tipos para impressão (1884).

A humanidade entrava no período do maior desenvolvimento, de transportes rápidos e meios de comunicação, de toda a História. Embora tais benefícios fossem usados para promover objetivos comerciais e políticos, também estariam disponíveis para o campo religioso. Estava assim montado o cenário para uma modesta iniciativa de um pequeno grupo de estudantes da Bíblia, que viria a ter repercussões internacionais.

FONTE:”PROCLAMADORES DO REINO”, páginas 37 e 38

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